A evolução das ferramentas de inteligência artificial (IA) está transformando o cenário das ameaças digitais. Um novo relatório sobre segurança cibernética aponta que criminosos estão utilizando essas tecnologias para desenvolver ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) cada vez mais complexos e difíceis de detectar.
Esses ataques consistem em sobrecarregar servidores, redes ou plataformas online com grandes volumes de tráfego malicioso, impedindo que usuários legítimos acessem serviços digitais.
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Segundo os dados mais recentes, mais de oito milhões de ataques DDoS foram registrados em 203 países durante o segundo semestre de 2025, evidenciando a escala global da ameaça. Em alguns casos, a intensidade das ofensivas chegou a 30 terabits por segundo (Tbps), níveis capazes de derrubar grandes infraestruturas digitais.

Brasil lidera ataques DDoS na América Latina
Dentro desse cenário, o Brasil aparece como o país mais afetado da América Latina quando se trata de ataques DDoS.
O país já vinha sendo apontado em estudos anteriores como um dos principais alvos de cibercriminosos na região, concentrando uma parcela significativa das ofensivas digitais.
O crescimento da digitalização, aliado a falhas estruturais de segurança em diversos setores, contribui para que empresas, instituições públicas e serviços online brasileiros se tornem alvos frequentes dessas campanhas.
O relatório mostrou em números como o Brasil seguiu na liderança do ranking global de países com mais ataques de Negação de Serviço Distribuídos registrados. Somente no segundo semestre do ano passado, o país sofreu mais de 470 mil ataques cibernéticos do tipo, quase metade do total registrado na América Latina, que fechou com pouco mais de 1 milhão de incidentes na região.
Entre os setores mais visados pelos cibercriminosos estão empresas de telecomunicações sem fio (114.797 ataques), infraestruturas de computação e hospedagem de serviços (47.897 ataques), e operadoras de telecomunicações com fio (34.051 ataques).
Ataques cada vez mais complexos
Outro ponto preocupante apontado no relatório é o aumento da complexidade das campanhas de ataque.
Cerca de 42% dos ataques DDoS recentes utilizaram múltiplos vetores simultaneamente, geralmente entre dois e cinco métodos diferentes. Essa abordagem torna as ofensivas mais difíceis de identificar e mitigar, pois os atacantes conseguem alternar técnicas durante o ataque para evitar bloqueios e sistemas de defesa.
Essa estratégia permite que os criminosos adaptem o comportamento do ataque conforme a resposta da infraestrutura de segurança da vítima.
Botnets e IA ampliam o poder das ofensivas
Grande parte dos ataques DDoS modernos depende de botnets, redes de dispositivos comprometidos controlados remotamente por invasores.
Somente em julho de 2025, foram identificados mais de 20 mil ataques associados a botnets, demonstrando como essas redes continuam sendo um dos principais instrumentos para derrubar sistemas online.

A diferença agora é que ferramentas baseadas em IA estão ajudando os criminosos a:
- identificar vulnerabilidades mais rapidamente
- expandir redes de dispositivos infectados
- automatizar a criação de ataques
- ajustar estratégias em tempo real
Além disso, discussões sobre o uso de IA em crimes cibernéticos cresceram 219% em fóruns da dark web, mostrando o crescente interesse do submundo digital nessas tecnologias.
Infraestruturas críticas estão entre os principais alvos
Os ataques DDoS frequentemente miram serviços essenciais e plataformas com grande volume de usuários. Entre os alvos mais comuns estão:
- portais governamentais
- serviços financeiros
- plataformas de transporte
- e-commerce
- provedores de internet
Quando bem-sucedidos, esses ataques podem causar interrupções de serviços, prejuízos financeiros e danos à reputação das organizações.

Tendência preocupa especialistas em segurança
Especialistas alertam que o uso de inteligência artificial pode ampliar ainda mais o impacto dos ataques cibernéticos.
Com o avanço dessas tecnologias, criminosos conseguem automatizar tarefas complexas e lançar ofensivas em escala muito maior, reduzindo a necessidade de conhecimento técnico avançado.
Isso significa que ataques sofisticados podem se tornar mais comuns, aumentando a pressão sobre empresas e governos para fortalecer suas estratégias de defesa digital.