A experiência teve como foco explorar, na prática, como as soluções de Network Detection and Response (NDR) funcionam no dia a dia da segurança corporativa. O objetivo principal foi compreender como esse tipo de tecnologia auxilia na investigação de ameaças, na resposta a incidentes e na rotina operacional de um Security Operations Center (SOC).
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Para isso, foi utilizado o software Investigador da Corelight, parte da plataforma Open NDR. O acesso ocorreu em um ambiente real com tráfego de rede previamente capturado, método comum para treinamento e simulação de cenários de análise.
Embora o usuário tivesse pouca experiência com threat hunting, havia familiaridade com análise de fluxos de rede desde ferramentas antigas como o Sniffer, precursor dos sistemas modernos de monitoramento. No passado, esses sistemas eram caros e exigiam treinamento avançado, além de apresentar dados difíceis de interpretar. Hoje, a proposta foi avaliar como as tecnologias atuais simplificam essa tarefa.
Como o NDR se integra ao fluxo de trabalho de um SOC
Antes da prática, foi necessário entender o posicionamento do NDR dentro das operações de segurança. Esse tipo de solução é amplamente utilizado por equipes de médio a alto nível de maturidade, principalmente em atividades de:
- Detecção de ameaças
- Investigação de incidentes
- Caça proativa (threat hunting)
O principal benefício é a visibilidade profunda sobre o tráfego da rede. Assim, analistas conseguem identificar ataques complexos, anomalias e até falhas de configuração que poderiam causar incidentes.
Além disso, a integração com outras ferramentas amplia a eficácia:
- SIEMs para correlação de eventos
- soluções EDR para endpoints
- firewalls para bloqueio e resposta
Consequentemente, o SOC ganha capacidade de responder com maior rapidez, principalmente contra ameaças avançadas que podem escapar da detecção tradicional.

Primeiros passos com a plataforma NDR
Ao iniciar o Investigator, o painel principal apresenta alertas classificados por nível de risco, IPs envolvidos e frequência das ocorrências. Esse formato orienta o analista a começar uma investigação baseada em hipóteses.
Durante a análise prática, foram identificados:
- ferramentas de exploração, incluindo o NMAP;
- uso de shells reversos para execução de malware;
- servidores DNS suspeitos;
- comunicação entre IPs potencialmente maliciosos.
Diferentemente de ferramentas antigas, o sistema fornece contexto adicional automaticamente. Além disso, associa eventos às técnicas do framework MITRE ATT&CK®, facilitando o entendimento da ameaça.
Esse nível de detalhamento acelera o aprendizado, pois permite aprofundar rapidamente em cada alerta.
O papel da IA na análise de ameaças
Um dos recursos testados foi a integração de inteligência artificial generativa. A IA permite perguntas rápidas, como:
- qual o tipo de ataque detectado;
- quais ações devem ser realizadas;
- quais logs precisam ser analisados.
Em resposta, a ferramenta apresenta orientações estruturadas, por exemplo:
- verificar comunicação com servidores de comando e controle;
- procurar evidências de movimentação lateral;
- investigar possíveis cargas maliciosas transferidas.
Assim, a IA não substitui o analista, mas organiza o raciocínio investigativo. Isso ajuda a transformar dados fragmentados em uma narrativa clara do ataque.
Outro aspecto relevante é o posicionamento das sugestões dentro da interface. As orientações aparecem no momento certo do fluxo, evitando interrupções.
A Corelight afirma que:
- dados privados são compartilhados com o modelo apenas durante investigações;
- informações do cliente não são usadas para treinamento;
- Integrações públicas e privadas funcionam separadamente.
Dashboards avançados e análise aprofundada
O Investigator oferece diversos painéis especializados. Entre eles:
- dashboards de detecção de anomalias;
- visão geral dos eventos;
- registros detalhados;
- alertas de primeira ocorrência.
Esse último é especialmente útil para detectar comportamentos inéditos na rede.
Além disso, a ferramenta possui um painel de linha de comando integrado. Com ele, analistas conseguem executar consultas específicas usando sintaxe própria. Guias práticas fornecem exemplos de comandos para facilitar o aprendizado.
O que o NDR revela que outras ferramentas não mostram
A análise demonstrou dois grandes diferenciais:
1. Enriquecimento de dados
Cada conexão recebe contexto adicional, incluindo comparação com o comportamento normal da rede. Dessa forma, fica mais fácil distinguir atividades legítimas de ações suspeitas.
Por exemplo, um acesso comum a um servidor SQL pode ser comparado com padrões históricos, permitindo identificar desvios rapidamente.
2. Integração com o ecossistema de segurança
A plataforma se conecta com várias tecnologias:
- SIEM para análise correlacionada;
- EDR, como CrowdStrike Falcon®, para bloqueio em endpoints;
- firewalls, como soluções da Palo Alto Networks;
- regras de inteligência de ameaças, incluindo Suricata® e Yara.
Essas interações permitem bloquear IPs, compartilhar metadados e acompanhar ataques que atravessam múltiplos domínios.
Esse nível de visibilidade é essencial diante de campanhas modernas, que frequentemente utilizam infraestrutura distribuída e múltiplos vetores.
Aprendizados da experiência prática
A utilização do NDR não transformou imediatamente o usuário em um analista experiente. No entanto, a prática trouxe insights importantes:
- criação de hipóteses sobre ataques;
- compreensão da movimentação lateral;
- análise contextualizada do tráfego;
- investigação integrada sem necessidade de alternar entre várias ferramentas.
A plataforma atua como multiplicadora de produtividade para equipes SOC, especialmente analistas de nível intermediário.
Sem uma solução NDR, seria necessário correlacionar manualmente dados de diferentes fontes. Com ela, relações entre eventos aparecem automaticamente, acelerando a investigação.
A experiência demonstrou como ferramentas modernas de NDR simplificam tarefas complexas de análise de rede. Ao combinar visibilidade profunda, automação e assistência por IA, essas soluções ajudam equipes SOC a detectar, investigar e responder a ameaças com maior eficiência.
Além disso, a integração com múltiplos sistemas permite construir uma visão completa do ambiente, algo fundamental diante do cenário atual de ataques sofisticados.
Fonte: The Hacker News — https://thehackernews.com/2026/02/my-day-getting-my-hands-dirty-with-ndr.html