Pesquisadores de cibersegurança da empresa Aisle utilizaram inteligência artificial (IA) para analisar o código-fonte do OpenSSL — a biblioteca de criptografia que protege a maior parte dos sites HTTPS na internet — e **identificaram 12 vulnerabilidades que não tinham sido detectadas por revisões humanas, algumas delas presentes desde 1998.
Essas falhas foram classificadas com diferentes níveis de gravidade: desde riscos baixa a alta, incluindo casos que permitem transbordamento de buffer e até execução remota de código.
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POR QUE ISSO É IMPORTANTE?
O OpenSSL é um dos pilares da segurança na internet, sendo responsável por implementar protocolos como SSL e TLS — sem os quais conexões HTTPS não seriam seguras.
Isso quer dizer que, quando um usuário visita um site com o cadeado na barra do navegador, há uma grande chance de que o OpenSSL seja o componente que protege essa conexão.
Apesar de sua importância, o código foi tão amplamente adotado ao longo de décadas que essas 12 falhas deveriam ter sido vistas por analistas humanos. No entanto, só a IA conseguiu detectá-las, indicando como ferramentas automatizadas podem complementar — e, em certos casos, superar — revisões tradicionais de segurança.
De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo achado, o Kit de IA usado consegue detectar contexto e entender o código analisado, ajudando na detecção de ameaças e vulnerabilidades, até mesmo gerando uma pontuação de prioridade para evitar falsos positivos.
A indústria da cibersegurança tem visto um aumento no uso de IA para aumentar a efetividade da segurança dos sistemas, especialmente no combate a ameaças digitais que também já usam inteligência artificial. No mínimo, as ferramentas automatizadas conseguem realizar o trabalho de revisão de falhas mais rapidamente do que o esforço manual humano.

FALHAS DETECTADAS PELA IA
Entre os problemas encontrados, há:
- Buffer overflow em parsing de CMS (alto risco): Essa falha pode permitir a execução remota de código antes de qualquer verificação de criptografia.
- Validação ausente em parâmetros PKCS#12 (moderado): A falta de verificação pode causar estouro de buffer.
- Variações de baixa severidade: Incluem corrupção ou exaustão de memória, erros de encriptação, crashes e outros comportamentos não seguros.
Além disso, algumas dessas vulnerabilidades remontam a versões iniciais do código que precederam o próprio OpenSSL — inclusive partes herdadas de projetos dos anos 90.
COMO A IA CONSEGUIR RESULTADOS QUE HUMANOS NÃO CONSEGUEM?
A tecnologia usada pela Aisle combina análise automatizada de código com entendimento de contexto, algo que ferramentas tradicionais não conseguem fazer com tanta eficiência.
Essas ferramentas avaliam padrões complexos, exploram caminhos de execução improváveis e até geram potenciais correções — muitas das quais foram aceitas pelo projeto OpenSSL e integradas às versões oficiais.
Esse tipo de abordagem permite:
- reduzir falsos positivos
- priorizar falhas por impacto
- detectar vulnerabilidades escondidas por anos
O PAPEL DA IA NA CIBERSEGURANÇA DO FUTURO
O uso de IA para detectar e remediar vulnerabilidades não está apenas crescendo — está se tornando uma ferramenta essencial. Enquanto ameaças sofisticadas também começam a usar inteligência artificial, defender sistemas manualmente se torna cada vez mais difícil.
A descoberta das 12 falhas no OpenSSL é um exemplo claro de como a tecnologia pode ampliar a segurança de software, ajudando empresas e desenvolvedores a protegerem sistemas críticos.
O QUE ISSO SIGNIFICA PARA VOCÊ?
Se você ou sua empresa dependem de serviços que utilizam OpenSSL ou protocolos TLS/SSL:
Atualize imediatamente para a versão mais recente corrigida.
Reavalie suas práticas de segurança de software com ferramentas automatizadas e IA.
Considere auditorias contínuas que combinem análise humana e tecnológica.
A descoberta recente mostra que a IA já ultrapassou, em muitos aspectos, a capacidade humana de identificar falhas profundas em códigos extensos. Essa mudança pode transformar auditorias de segurança e elevar os padrões de proteção na internet.