A digitalização de serviços públicos avançou rapidamente nos últimos anos, e o Gov.br tornou-se o principal pilar da identidade digital no Brasil. Milhões de cidadãos acessam benefícios, documentos e serviços sensíveis usando biometria facial como principal forma de autenticação. No entanto, recentes casos de fraudes baseadas em imagens escancararam uma verdade incômoda: biometria sozinha não é suficiente para garantir segurança.
Com o avanço de técnicas de manipulação de imagem, deepfakes e engenharia social, criminosos têm conseguido burlar mecanismos biométricos, levantando questionamentos importantes sobre os limites da tecnologia e a necessidade de camadas adicionais de proteção.
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O que são as fraudes com imagens no Gov.br?
As fraudes observadas envolvem o uso de:
- Fotos roubadas de redes sociais
- Imagens de documentos vazados
- Montagens e manipulações digitais
- Vídeos ou sequências de imagens simulando presença real
Essas imagens são utilizadas para enganar sistemas de verificação facial, principalmente quando não há mecanismos robustos de prova de vida (liveness) ou validações cruzadas com outras fontes de identidade.
O resultado pode ser:
- Acesso indevido a contas Gov.br
- Solicitação fraudulenta de benefícios
- Alteração de dados cadastrais
- Uso da identidade da vítima para novos golpes
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Por que a biometria facial virou alvo preferencial?
A biometria facial é:
- Conveniente
- Rápida
- Fácil para o usuário final
- Escalável em larga escala
Por esses motivos, tornou-se amplamente adotada em serviços públicos e privados. Porém, essa mesma popularidade faz com que criminosos invistam cada vez mais em formas de burlá-la.
Além disso, muitos usuários:
- Exibem o rosto publicamente em redes sociais
- Compartilham selfies e vídeos em alta resolução
- Não têm consciência do valor biométrico dessas imagens
Isso transforma o próprio usuário em uma fonte involuntária de dados sensíveis.

Onde a biometria falha?
1. Uso de imagens estáticas
Sistemas menos sofisticados podem ser enganados por:
- Fotos impressas
- Imagens exibidas em outra tela
- Capturas de alta qualidade
Sem detecção de profundidade ou movimento, o sistema “acredita” estar diante de uma pessoa real.
2. Deepfakes e IA generativa
A evolução da IA tornou possível:
- Criar rostos realistas
- Animar expressões faciais
- Simular piscadas e movimentos
Isso reduz drasticamente a eficácia de verificações faciais simples.
3. Reuso de dados biométricos
Diferente de senhas:
- Biometria não pode ser trocada
- Uma vez vazada, o dano é permanente
Se uma imagem biométrica é comprometida, o risco acompanha o usuário para sempre.
O erro comum: tratar biometria como solução única
Um dos maiores equívocos em projetos de identidade digital é tratar a biometria como camada única de segurança.
Na prática, biometria deve ser:
- Um fator de autenticação
- Nunca o único
Especialistas defendem o uso do modelo MFA (autenticação multifator), combinando:
- Algo que o usuário é (biometria)
- Algo que o usuário sabe (senha ou PIN)
- Algo que o usuário tem (dispositivo, token, certificado)
Os riscos para cidadãos e para o governo
Para o cidadão
- Roubo de identidade
- Perda de benefícios
- Problemas legais
- Dificuldade de recuperar a conta
- Exposição de dados pessoais
Para o governo
- Perda de confiança da população
- Aumento de fraudes em larga escala
- Custos elevados de investigação e correção
- Questionamentos sobre a eficácia da identidade digital
A credibilidade do sistema é tão importante quanto sua conveniência.
O papel da prova de vida (liveness)
Soluções modernas precisam ir além da simples captura de imagem.
Técnicas de liveness detection incluem:
- Análise de movimento espontâneo
- Detecção de profundidade 3D
- Resposta a desafios aleatórios
- Análise de textura da pele
- Verificação de iluminação e reflexos
Mesmo assim, nenhuma técnica isolada é infalível.
Segurança em camadas: o único caminho viável
Casos como os do Gov.br reforçam um princípio básico da cibersegurança:
Não existe bala de prata.
Sistemas críticos devem adotar:
- Autenticação multifator
- Monitoramento contínuo de comportamento
- Análise de risco em tempo real
- Limites de transação
- Alertas e confirmações adicionais para ações sensíveis
Infraestrutura segura também faz diferença
Mecanismos de autenticação só funcionam bem quando apoiados por:
- Infraestrutura estável
- Ambientes protegidos
- Atualizações constantes
- Monitoramento ativo
Com a Hostec, projetos que lidam com dados sensíveis contam com:
- Ambientes seguros e confiáveis
- Alta disponibilidade
- Proteções avançadas contra ataques
- Base sólida para aplicações críticas
Educação digital: o elo mais fraco continua sendo humano
Além da tecnologia, é fundamental:
- Conscientizar usuários
- Alertar sobre riscos de exposição excessiva de imagens
- Incentivar boas práticas digitais
Sem isso, mesmo os sistemas mais avançados podem ser explorados.
O futuro da identidade digital
A tendência é clara:
- Biometria continuará sendo usada
- Mas sempre combinada com outras camadas
- Identidade será contextual e dinâmica
- Decisões de acesso levarão em conta comportamento, risco e histórico
O objetivo não é apenas identificar, mas confiar com segurança.
As fraudes com imagens no Gov.br deixam uma lição clara: biometria facial sozinha não basta. Embora seja uma ferramenta poderosa, ela precisa fazer parte de uma estratégia mais ampla de segurança digital, baseada em camadas, contexto e verificação contínua.
Para governos, empresas e cidadãos, o recado é o mesmo: comodidade não pode vir antes da segurança.
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