A inteligência artificial deixou de ser tendência e virou ferramenta cotidiana no desenvolvimento de software. Geradores de código, assistentes inteligentes, modelos de linguagem e APIs de IA prometem produtividade extrema e entregas mais rápidas.
O problema começa quando a IA é usada sem critério. O resultado? Um código remendado, difícil de manter, cheio de dependências estranhas e decisões arquiteturais incoerentes — um verdadeiro Frankenstein digital.
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Por que a IA pode virar um problema?
A IA é excelente para:
- Gerar código rapidamente
- Sugerir soluções
- Automatizar tarefas repetitivas
- Ajudar na documentação
Mas ela também pode:
- Introduzir padrões inconsistentes
- Misturar estilos arquiteturais
- Criar dependências desnecessárias
- Gerar código que “funciona”, mas não escala
IA não entende o contexto completo do seu projeto — quem entende é você.
Lição 1: Defina a arquitetura antes de usar IA
Nunca comece um projeto deixando a IA decidir tudo”.
Antes de qualquer prompt, defina:
- Arquitetura (monolito, microsserviços, modular)
- Stack tecnológica
- Padrões de projeto
- Convenções de código
- Estratégia de escalabilidade
A IA deve seguir a arquitetura, não criá-la.
Lição 2: Use IA como assistente, não como arquiteto
O maior erro é tratar a IA como um desenvolvedor sênior autônomo.
Use IA para:
- Gerar boilerplate
- Criar funções repetitivas
- Sugerir refatorações
- Explicar trechos de código
Evite usar IA para:
- Decisões críticas de arquitetura
- Modelagem de domínio complexa
- Definições de segurança
A responsabilidade técnica continua sendo humana.
Lição 3: Centralize o uso de IA no projeto
Projetos Frankenstein surgem quando:
- Cada dev usa uma IA diferente
- Cada parte do código segue um estilo
- Não existe padrão de prompts
Crie:
- Guidelines internas de uso de IA
- Templates de prompts
- Revisões obrigatórias de código gerado por IA
IA sem governança vira bagunça rapidamente.

Lição 4: Código gerado por IA precisa de revisão rigorosa
Nunca confie cegamente no código gerado.
Sempre revise:
- Legibilidade
- Performance
- Segurança
- Consistência com o restante do projeto
- Dependências externas
Código que “funciona” hoje pode virar dívida técnica amanhã.
Lição 5: Evite acoplamento excessivo com IA
Outro erro comum é construir o projeto dependente demais de um único fornecedor ou modelo de IA.
Boas práticas:
- Encapsular chamadas de IA
- Criar camadas de abstração
- Facilitar troca de modelos no futuro
- Evitar lógica de negócio dentro de prompts
IA deve ser um componente, não o núcleo do sistema.
Lição 6: Testes automatizados são ainda mais importantes
O código gerado por IA precisa de testes — talvez mais do que código humano.
Invista em:
- Testes unitários
- Testes de integração
- Testes de regressão
- Testes de carga (quando IA afeta performance)
Sem testes, a evolução do projeto vira roleta russa.
Lição 7: Documente o que a IA ajudou a criar
Muitos projetos ficam incompreensíveis porque ninguém sabe:
- Por que aquela solução foi escolhida
- Qual prompt foi usado
- Quais limitações existem
Documento:
- Decisões arquiteturais
- Uso de IA no projeto
- Limitações conhecidas
- Pontos sensíveis
Documentação reduz dependência da própria IA no futuro.
Lição 8: Performance e infraestrutura continuam sendo críticas
IA costuma aumentar:
- Uso de CPU
- Consumo de memória
- I/O de disco
- Latência de requisições
Sem infraestrutura adequada, o projeto sofre.
Não adianta código bonito se o ambiente não acompanha.
IA + código limpo = projeto sustentável
Quando bem utilizada, a IA:
- Acelera desenvolvimento
- Reduz tarefas repetitivas
- Aumenta produtividade
- Ajuda times menores a fazer mais
Quando mal utilizada:
- Cria dívidas técnicas
- Torna manutenção cara
- Dificulta evolução
- Afasta desenvolvedores do projeto
O segredo está no equilíbrio.
Infraestrutura certa evita gargalos
Projetos modernos com IA exigem:
- Servidores estáveis
- Storage rápido (SSD NVMe)
- Baixa latência
- Escalabilidade real
- Alta disponibilidade
Tenha uma base sólida para projetos modernos com IA, APIs e aplicações escaláveis.
Usar IA em novos projetos não é mais opcional — mas usar mal é um risco real.
Seguindo boas práticas, definindo arquitetura clara e tratando a IA como aliada (não como salvadora), é possível criar projetos:
- Organizados
- Escaláveis
- Sustentáveis
- Fáceis de manter
Evitar o “código Frankenstein” é uma decisão técnica e estratégica.
FAQ – Perguntas frequentes
IA substitui desenvolvedores?
Não. Ela potencializa desenvolvedores, mas não substitui pensamento crítico.
O código gerado por IA é confiável?
Pode ser, desde que revisado, testado e contextualizado corretamente.
Vale a pena usar IA desde o início do projeto?
Sim, desde que exista arquitetura, padrões e governança claros.
IA aumenta custos de infraestrutura?
Pode aumentar, especialmente em projetos mal dimensionados.