O Dia da Internet Segura, celebrado globalmente para promover o uso responsável e seguro da tecnologia, trouxe um alerta importante em 2026: o Brasil ocupa posição de destaque no número de ataques digitais registrados na América Latina. Especialistas apontam que o crescimento acelerado da digitalização, aliado a falhas de segurança e baixa conscientização, contribui para esse cenário preocupante.
A data, comemorada anualmente na segunda terça-feira de fevereiro, tem como objetivo incentivar práticas mais seguras online e reforçar a importância da proteção de dados pessoais e corporativos.
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Por que o Brasil virou alvo frequente de ataques digitais?
Diversos fatores explicam o aumento das ameaças cibernéticas no país:
- Grande número de usuários conectados
- Crescimento acelerado do comércio eletrônico
- Digitalização de serviços públicos e privados
- Uso intenso de dispositivos móveis
- Falta de políticas consistentes de segurança em pequenas empresas
Além disso, especialistas alertam que tecnologias emergentes, como inteligência artificial e deepfakes, têm ampliado o alcance das fraudes digitais e ataques de engenharia social.
Deepfakes avançam e impulsionam fraudes no país
Ferramentas de inteligência artificial generativa e agentes de IA já permitem a criação de vídeos e áudios hiper-realistas, capazes de simular rostos, vozes e comportamentos humanos com alto grau de precisão. Embora essas tecnologias tragam aplicações legítimas em comunicação, entretenimento e inovação, seu uso indevido em campanhas de desinformação e golpes financeiros tem ganhado escala.
De acordo com o Identity Fraud Report 2025–2026, ataques envolvendo deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025. O país concentrou 39% dos deepfakes detectados na América Latina, afetando especialmente fintechs, bancos e plataformas de apostas online. O relatório aponta a sofisticação no uso de IA para forjar rostos, vozes e documentos, um cenário agravado pela multiplicidade de documentos de identificação existentes no Brasil.

Eleições de 2026 e o uso de IA na desinformação
Em outubro de 2026, mais de 155 milhões de brasileiros devem ir às urnas para eleger presidente, governadores e deputados. Diante do avanço da desinformação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a Resolução n.º 23.732/2024, que proíbe o uso de deepfakes em campanhas eleitorais. A norma classifica como ilícitos conteúdos produzidos por IA que utilizem manipulação fraudulenta de imagem ou voz para enganar, prejudicar ou desacreditar pessoas.

Tipos de ataques mais comuns no Brasil
Entre os principais riscos enfrentados por usuários e empresas estão:
Phishing
Golpes que simulam mensagens ou sites legítimos para roubar dados.
Malware e ransomware
Softwares maliciosos capazes de sequestrar informações ou bloquear sistemas.
Fraudes com identidade digital
Uso indevido de dados pessoais para aplicar golpes financeiros.
Ataques a serviços em nuvem
Exploração de configurações incorretas e vulnerabilidades.
Impacto na América Latina e no mercado digital

O crescimento dos ataques não afeta apenas usuários individuais. Empresas enfrentam:
- prejuízos financeiros
- perda de reputação
- interrupções operacionais
- vazamento de dados sensíveis
Com a transformação digital acelerada, países latino-americanos tornaram-se alvos estratégicos para criminosos virtuais devido à rápida adoção tecnológica combinada com níveis variados de maturidade em segurança.
Como se proteger contra ataques digitais
Especialistas recomendam algumas práticas essenciais:
Utilizar autenticação em dois fatores
Manter sistemas e plugins atualizados
Evitar redes Wi-Fi públicas sem proteção
Criar senhas fortes e únicas
Investir em soluções de segurança confiáveis

Empresas devem priorizar auditorias regulares e treinamento de equipes para reduzir riscos humanos, considerados uma das principais portas de entrada para invasões.
Priorizar plataformas confiáveis
Segundo o Digital Brazil 2024, 144 milhões de brasileiros usam redes sociais, com média diária de 3 horas e 37 minutos conectados. Esse volume exige atenção redobrada ao navegar por sites desconhecidos ou realizar compras online, especialmente em datas promocionais.
“Desconfiar de ofertas muito abaixo do preço de mercado e verificar a legitimidade do vendedor são atitudes simples que reduzem riscos”, orienta Thiago Muniz, CEO da Receita Previsível.
O papel da conscientização no Dia da Internet Segura
O Dia da Internet Segura reforça a necessidade de educação digital contínua. A conscientização é considerada uma das estratégias mais eficazes para reduzir ataques, já que grande parte das ameaças explora erros humanos ou falta de informação.
Especialistas destacam que o futuro da segurança online depende não apenas de tecnologias avançadas, mas também da mudança de comportamento dos usuários.
O fato de o Brasil liderar ataques digitais na América Latina evidencia a urgência de fortalecer práticas de cibersegurança tanto para usuários quanto para empresas. Em um cenário cada vez mais conectado, investir em proteção digital deixou de ser opcional e passou a ser essencial para garantir privacidade, continuidade dos negócios e confiança online.