A disputa entre plataformas de inteligência artificial está entrando em uma nova fase. Em vez de competir apenas por recursos ou desempenho dos modelos, empresas agora buscam reduzir o custo de troca para o usuário. Nesse contexto, o Google testa no Gemini uma função que pode permitir a importação de conversas realizadas em outros assistentes de IA, como ChatGPT e ferramentas similares.
Se implementado, o recurso pode representar uma mudança importante na forma como usuários migram entre plataformas, já que o histórico de interações — hoje um dos maiores “ativos” pessoais em IAs — deixaria de ser um fator de bloqueio.
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Centralização de contexto como vantagem competitiva
Atualmente, trocar de assistente significa, na prática, recomeçar do zero: explicar novamente projetos, preferências, estilos de escrita e informações recorrentes. A proposta em teste no Gemini aponta para o caminho oposto — permitir que o usuário leve esse contexto consigo.
A função aparece associada a uma opção de importação de arquivos, sugerindo que o processo envolveria o envio de históricos previamente exportados de outras plataformas. Uma vez integradas, essas conversas serviram como base para continuidade de diálogos, planejamento de tarefas ou retomada de projetos interrompidos.
Segundo a descrição exibida no próprio Gemini, o processo funcionaria de forma semelhante à migração entre navegadores ou sistemas operacionais.
Primeiro, o usuário deve baixar o histórico de conversas do outro chatbot, quando essa opção estiver disponível. Em seguida, basta acessar o Gemini, ir até Adicionar arquivos > Importar conversas com IA e continuar o diálogo diretamente com a IA do Google

Na janela explicativa, a empresa destaca que as conversas importadas passam a integrar a Atividade da conta do usuário.
Os dados podem ser utilizados para aprimorar os serviços do Google, incluindo o treinamento dos modelos, além de ações voltadas à segurança e à proteção da plataforma e de seus usuários.
Possível verificação de deepfakes
Outro recurso em desenvolvimento no Gemini é identificado pelo nome “Likeness” (“Semelhança”, em tradução livre). Apesar de ainda não contar com uma descrição própria, o botão atualmente redireciona para a página de “Verificação de vídeo”, dedicada a identificar se um conteúdo foi ou não gerado por inteligência artificial.

A nomenclatura do recurso, combinada ao redirecionamento provisório, sugere que a função pode permitir verificar se um vídeo gerado pelo Gemini utiliza a aparência do próprio usuário como base. O YouTube já oferece uma ferramenta semelhante, mas voltada à análise de vídeos públicos hospedados na plataforma.
Impactos práticos para usuários avançados
Caso o recurso chegue à versão pública, ele pode beneficiar especialmente:
- Profissionais que utilizam IA como ferramenta contínua de trabalho, não apenas consultas pontuais.
- Usuários que testam múltiplos assistentes e desejam unificar histórico e contexto.
- Pessoas que mantêm projetos longos (códigos, textos, pesquisas) distribuídos entre diferentes plataformas.
Mais do que conveniência, a importação de conversas pode se tornar um diferencial estratégico, aproximando IAs de ambientes de trabalho persistentes, e não apenas chats descartáveis.
Questões de privacidade e controle de dados
Por outro lado, a centralização de históricos levanta preocupações relevantes. Ao importar conversas, esses dados passam a fazer parte do ecossistema do Google, ficando sujeitos às políticas de uso, retenção e possível aproveitamento para melhoria de serviços.
Isso reforça a importância de o usuário compreender quais informações está transferindo, especialmente se os históricos incluem dados sensíveis, profissionais ou confidenciais.

Outros testes em andamento no Gemini
Além da importação de chats, versões experimentais do Gemini indicam que o Google avalia novas funcionalidades, como:
- Recursos relacionados à verificação de identidade visual e autenticidade de imagens e vídeos.
- Opções avançadas para exportação de imagens geradas por IA em resoluções mais altas, voltadas a uso profissional.
Esses testes sugerem que a plataforma está sendo preparada para um uso mais amplo e técnico, indo além da simples interação casual.
Disponibilidade ainda indefinida
Até o momento, nenhuma dessas funções foi oficialmente anunciada ou liberada para o público. Como ocorre com outros recursos experimentais, não há garantia de lançamento, nem prazos definidos.
Ainda assim, a simples existência desses testes indica uma tendência clara: a próxima geração de assistentes de IA não disputará apenas respostas melhores, mas a posse do contexto do usuário.