Para profissionais do clima, a capacidade de processar grandes volumes de dados não é apenas uma questão de software, mas uma necessidade física. A previsão de eventos como tempestades e ondas de calor depende de modelos matemáticos robustos que exigem supercomputadores de alta capacidade para funcionar.
Esse mesmo poder de processamento que ajuda a salvar vidas e antecipar desastres climáticos também trouxe uma nova questão ambiental: o crescimento acelerado da inteligência artificial (IA) aumenta consideravelmente a demanda por energia e recursos naturais.
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IA Generativa e consumo de energia
Com o surgimento das ferramentas de IA generativa (como grandes modelos de linguagem), a indústria reverteu décadas de ganhos em eficiência computacional. Esses modelos exigem cálculo contínuo e intensivo, o que eleva drasticamente o consumo de eletricidade dos centros de processamento de dados.
Segundo projeções de agências de energia, o uso elétrico dos data centers que hospedam essas tecnologias pode mais do que dobrar até 2030. Organizações que buscam reduzir suas emissões (como metas de “Net Zero”) enfrentam dificuldades, já que o uso crescente de nuvem e IA tem sido responsável por aumentos significativos nas emissões de gases de efeito estufa.

Impactos além da energia: consumo de água
Outro aspecto relevante é o uso de água nos sistemas que mantêm os equipamentos funcionando. Chips poderosos aquecem muito e precisam ser resfriados para manter a operação estável. Estudos estimam que uma única interação prolongada com modelos de IA pode consumir o equivalente a uma garrafa de água, enquanto os centros de dados globais absorvem centenas de bilhões de litros por ano.
Esse elevado uso de água tem gerado tensões locais em regiões já com escassez hídrica, como partes dos Estados Unidos e áreas no Uruguai.
Lugares onde a tecnologia tenta ser mais sustentável
Para reduzir os impactos, operadores de grandes centros de dados estão buscando territórios com clima frio e acesso a formas naturais de resfriamento. Países nórdicos e a Islândia são exemplos onde se usa o ar externo para ajudar a manter sistemas operando com menor demanda energética.
Alguns projetos experimentais também exploraram soluções inovadoras, como colocar servidores no fundo do mar, onde a água fria ajuda no resfriamento sem consumo de água doce.
Ideias futuristas e seus riscos
Existem propostas ainda mais ousadas, como instalar grandes estruturas de processamento no espaço, alimentadas por painéis solares. Mesmo assim, desafios físicos e ambientais — como a necessidade de dissipar calor no vácuo — tornam esses planos difíceis de implementar sem novos impactos, inclusive associados ao lançamento de foguetes.
🇧🇷 O papel do Brasil na IA sustentável
Em contraste com países que ainda dependem de fontes fósseis, o Brasil possui uma matriz elétrica amplamente limpa e renovável. Isso coloca o país em uma posição estratégica para atrair investimentos e desenvolver um setor de IA com menor impacto climático, especialmente em regiões com grande potencial de energia eólica e solar.
O país já possui uma fatia significativa da capacidade de data centers na América Latina e planeja ampliar essa liderança nos próximos anos.
Equilíbrio entre tecnologia e clima
A inteligência artificial é, sem dúvida, uma ferramenta poderosa para auxiliar na previsão de eventos climáticos e na otimização de sistemas como redes elétricas. No entanto, a sua expansão aumenta o consumo de recursos naturais e impõe desafios reais ao meio ambiente.
A sobrevivência sustentável dessa tecnologia exige reconhecer e administrar seu enorme uso de energia e água, para que a IA possa ajudar na proteção do planeta sem se tornar um peso extra no aquecimento global.