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Quem é o verdadeiro autor de um texto criado com Inteligência Artificial?

Quem é o verdadeiro autor de um texto criado com Inteligência Artificial?

Recentemente, o ombudsman da Folha de S.Paulo publicou uma coluna que gerou questionamentos relevantes. Um leitor acusou uma colunista de utilizar inteligência artificial para redigir textos assinados por ela.

Diante da denúncia, a ouvidoria decidiu investigar o caso. Assim, iniciou-se uma discussão sobre o que, afinal, define autoria.

Ferramentas de detecção e resultado dos testes

Para esclarecer a situação, a ombudsman analisou as colunas da jornalista com ferramentas especializadas em detectar conteúdo gerado por IA.

Os sistemas Pangram e Winston apontaram que os textos apresentavam 100% de probabilidade de origem artificial.

Com base nesses resultados, levantou-se a hipótese de fraude editorial. No entanto, o caso tomou outro rumo.

A resposta da colunista

Em vez de negar as acusações, a jornalista confirmou o uso de inteligência artificial.

Segundo ela, o processo funciona da seguinte maneira: primeiro, ela grava suas ideias, argumentos e reflexões. Em seguida, solicita que a IA transforme o conteúdo falado em texto estruturado.

Além disso, ela revelou que até mesmo o e-mail enviado à ouvidoria seguiu o mesmo método.

Portanto, a discussão deixou de ser técnica e passou a ser conceitual.

Quem é o verdadeiro autor de um texto criado com Inteligência Artificial?
Quem é o verdadeiro autor de um texto criado com Inteligência Artificial?

A questão central: quem é o autor?

Nesse contexto, surge uma pergunta inevitável: quem deve receber o crédito?

De um lado, há o leitor que considera inadequado assinar um texto produzido por IA.
De outro, está a colunista que enxerga a ferramenta como mero recurso de apoio.

Assim, o debate ultrapassa o caso específico e alcança uma reflexão mais ampla sobre autoria.

O impacto da IA no jornalismo

Além do episódio isolado, o caso evidencia uma transformação maior. A inteligência artificial já influencia profundamente a produção de conteúdo digital.

Consequentemente, modelos tradicionais de jornalismo enfrentam novos desafios.

O texto menciona, inclusive, discussões anteriores sobre a sustentabilidade da produção de conteúdo em um cenário cada vez mais automatizado.

O exemplo da “selfie do macaco”

Para aprofundar a reflexão, o colunista relembra um caso famoso.

Em 2011, o fotógrafo David Slater viajou à Indonésia com seu equipamento. Durante a expedição, uma macaca-preta chamada Naruto apertou o disparador da câmera e registrou um autorretrato.

Posteriormente, a organização PETA entrou na Justiça alegando que o animal deveria ser reconhecido como autor da imagem.

O caso terminou em acordo. Parte dos royalties das fotos passou a beneficiar santuários que cuidam dos macacos.

Esse episódio reforça a pergunta central: quem realmente cria uma obra?

Como o próprio colunista utiliza IA

Curiosamente, o autor da coluna também utiliza inteligência artificial. No entanto, ele limita o uso a duas funções específicas:

  1. Buscar referências e links relevantes;
  2. Sugerir correções gramaticais.

Ainda assim, ele afirma que conduz todo o processo criativo. Ele define estrutura, exemplos, analogias e linha argumentativa.

Além disso, ele revisou o texto ao longo de vários dias.

Ferramenta ou autora?

Aqui está o ponto decisivo.

Segundo o colunista, existe uma diferença clara entre usar IA como apoio e delegar a ela a criação integral do texto.

Ele argumenta que decisões estruturais, organização lógica e escolhas reflexivas continuam sob controle humano.

Para ilustrar a complexidade do tema, ele cita o paradoxo do navio de Teseu. Afinal, se partes de uma obra mudam, ela continua sendo a mesma?

Mesmo assim, ele sustenta que seu texto permanece autoral, pois a IA atua apenas como instrumento auxiliar.

Analogias que reforçam o argumento

Além do exemplo filosófico, o autor apresenta comparações do cotidiano:

  • Um cantor que opta por apresentação ao vivo em vez de playback;
  • Produtos artesanais que ganham mais valor do que industriais;
  • Casos jurídicos em que a responsabilidade depende da participação de cada envolvido.

Assim, ele reforça que participação e intenção importam na definição de autoria.

O valor do conteúdo humano no futuro

Por fim, o colunista observa que textos com autoria humana ainda atraem patrocínio e publicidade.

Enquanto isso, cresce o volume de conteúdo automatizado na internet. Muitos desses materiais, segundo ele, apresentam qualidade questionável.

Além disso, ele menciona que o financiamento para iniciativas baseadas em IA continua abundante. Contudo, não se sabe até quando essa “bolha” permanecerá inflada.

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